Redes Hoteleiras Apostam em Hospedagens Longas 30/01/2020




Com alta ocupação e tarifas na hotelaria tradicional, residencial com serviços atrai clientes corporativos nas capitais ao oferecer descontos para estadias maiores

A hotelaria tradicional nas grandes capitais vêm registrando alta ocupação e, como consequência, tarifas maiores. Como opção, multinacionais e empresas de grande porte têm optado por unidades residenciais, que oferecem serviços de hotelaria e cujas tarifas chegam a ser de 10% a 50% mais baixas em períodos mais longos de hospedagem, a partir de 30 dias.

Os residenciais com serviços são os antigos flats. Isso porque houve uma mudança na legislação em São Paulo, que não permite o uso misto. "Os hotéis podem oferecer estadias mais longas, mas os residenciais não podem oferecer diárias de hotéis", define José Ernesto Marino, consultor da BSH International.

Segundo Marino, os hotéis, que estão com alta ocupação em cidades como Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, não têm conseguido atender a demanda por estadias longas. Quem ganha com isso são os residenciais

Diante deste cenário, há quem invista no conceito. É o caso do grupo familiar Concivil-Estanplaza, que, no final do ano, terá mais unidades residenciais com serviços, pertencentes à sua bandeira Estanconfor, do que hotéis. O Grupo Accor optou por trazer uma nova bandeira com o conceito para o País, a Adagio; enquanto o IHG vem recebendo oferta de investidores para levar sua bandeira de longa permanência, a Staybridge, para outros Estados.

Hoje, a Staybridge tem uma única unidade no bairro Itaim, em São Paulo. Isso porque o conceito é mais difícil de ser replicado, pois já inclui uma torre comercial, bem como estrutura para eventos e restaurantes. "A ocupação é crescente, e nossa receita aumenta entre 7% a 10% ao ano", diz Anna Claudia Fernandes, gerente de vendas e marketing do Staybridge.

Novidades

O Concivil-Estanplaza tem cinco unidades com o conceito em São Paulo e irá lançar mais quatro este ano com apartamentos de 38 a 320 metros quadrados que têm "cara de casa".

O grupo verificou a necessidade de escoar uma demanda adicional que vinha recebendo, principalmente de empresas. Grandes bancos, por exemplo, chegam a alugar dez apartamentos para hospedar sua gerência durante três meses de treinamento. 

Além disso, 10% das reservas das unidades, cuja ocupação é de 85%, são realizadas por empresas que preferem alugar um quarto durante um mês e hospedar diversos executivos no período, deixando o apartamento ocioso em alguns momentos. É uma alternativa ao risco de não ter onde alocar os funcionários, principalmente no caso de viagens de última hora. 

Duas destas novas unidades da Estanconfor serão cinco estrelas, destinadas a executivos no nível de CEOs, e serão interligadas a um prédio comercial, que faz parte do mesmo projeto e pertence à nova bandeira corporativa do grupo. O objetivo é oferecer aos clientes a opção de trabalhar e se hospedar no mesmo local.

Para os administradores hoteleiros, o conceito significa maior rentabilidade, à medida que a taxa de ocupação é mais estável, conta Fernanda Godoy, gerente operacional da rede Estanconfor. Para os clientes corporativos, significa redução de custos e garantia de que os preços não irão subir durante o contrato, diz Marino, da BSH.

A Accor irá construir cinco hotéis em São Paulo e na Bahia com a nova bandeira de longa permanência, que irá oferecer hospedagens a partir de quatro noites. Serão 1 mil apartamentos. Casa hotel necessita de investimentos de R$ 317 milhões.

A meta é oferecer uma rede de 40 apart-hotéis da marca no País, sejam novos ou adaptados. O primeiro deles será lançado no ano que vem. A marca Adagio City já está presente em sete países com 90 hotéis e 10 mil apartamentos

Perfil

O conceito atrai principalmente expatriados (estrangeiros que são transferidos para o Brasil, geralmente com a família) em sua fase de adaptação no País, e também executivos que viajam para trabalhar em projetos na cidade. 

Na Estanconfor, os estrangeiros representam de 70% a 80% da ocupação. "A vinda deles se intensificou nos últimos dois anos", diz a gerente Fernanda. Na Staybridge, o perfil se mantém. Recentemente, passou de predominantemente europeus para asiáticos.

Os apartamentos geralmente são equipados com cozinhas completas, eletrodomésticos e os serviços incluem telefone, internet e até ajuda para encontrar escola para os filhos.

Para atrair clientes, a Staybridge oferece 50% de desconto em serviços de lavanderia e oferece como cortesia ligações locais entre telefones fixos, assim como internet de alta velocidade.

Com a vinda de coreanos e chineses, a unidade decidiu aumentar o número de quartos com fogões. "Eles não se acostumam com a nossa culinária", conta Anna.

Fonte: Portal IG